Friday, August 21, 2026

63 - O Falsete de Newark e a Anatomia do Orgulho Adolescente

 


Lançada em outubro de 1962 como sucessora direta do estrondoso sucesso "Sherry", "Big Girls Don't Cry" consolidou de forma definitiva o The Four Seasons como uma das maiores potências do pop americano pré-Invasão Britânica. Composta pelo tecladista Bob Gaudio em parceria com o produtor Bob Crewe, a canção surgiu de uma centelha inusitada da cultura pop da época: a frase foi pescada de um diálogo do filme Tennessee's Partner, de 1955, estrelado por Ronald Reagan e John Payne. Crewe anotou a fala em um pedaço de papel, e Gaudio a transformou em um épico rítmico sobre a fragilidade dos jogos emocionais juvenis.

A arquitetura sonora da faixa é uma aula de economia rítmica e impacto melódico. A base é sustentada por uma batida sincopada e percussiva de palmas, estalos e o baixo pulsante de Nick Massi, criando uma marcha dançante que captura imediatamente a atenção do ouvinte. A produção brilhante de Crewe colocou os arranjos vocais em primeiro plano, construindo uma tapeçaria doo-wop sofisticada onde as vozes graves do grupo servem como contraponto perfeito para a grande atração da banda: o falsete estratosférico e cortante de Frankie Valli. Valli transita com facilidade assombrosa entre o registro de peito e notas agudas lancinantes, conferindo à narrativa uma sensação de vulnerabilidade e drama quase operístico.

Liricamente, "Big Girls Don't Cry" disseca a dinâmica do blefe e do arrependimento no romance adolescente. O narrador tenta testar os sentimentos da namorada ameaçando terminar o relacionamento, esperando desesperadamente que ela implore para que ele fique. Em vez disso, ela mantém a postura impassível e se despede com frieza, deixando-o atordoado e preso na própria armadilha do ego ("Silly boy, hoped that she would call my bluff"). A virada da trama ocorre quando a máscara da garota também cai em segredo, revelando que a suposta maturidade e a recusa ao choro não passavam de uma armadura ("Big girls do cry / that's just an alibi").

A música alcançou o topo da Billboard Hot 100 por cinco semanas consecutivas, provando que o quarteto de Nova Jersey não era um fenômeno passageiro de um único sucesso. Ao capturar com perfeição o orgulho ferido, a insegurança e o teatro emocional do início dos anos 60, "Big Girls Don't Cry" estabeleceu o modelo definitivo do som de rua italo-americano que marcaria época na história do pop mundial.

 

Big girls don't cry
Big girls don't cry

Big girls don't cry (they don't cry)
Big girls don't cry (who said they don't cry?)
My girl said goodbye (my, oh, my)
My girl didn't cry (I wonder why)

told my girl we had to break up
(Silly boy) hoped that she would call my bluff
(Silly boy) then she said to my surprise
"Big girls don't cry"

Big girls don't cry (they don't cry)
Big girls don't cry (who said they don't cry?)

Baby I'm a fool (I'm such a fool)

"Shame on you" your mama said
(Silly girl) "Shame on you, you're cryin' in bed"
(Silly girl) "Shame on you, you told me lies"
Big girls do cry

Big girls don't cry (they don't cry)
Big girls don't cry (that's just an alibi)

Big girls don't cry
Big girls don't cry
Big girls don't cry
Big girls don't cry
Big girls don't cry

 

Thursday, August 20, 2026

62 - A Travessia Oceânica do Big Band e a Reinvenção Swing de Bobby Darin

 


Lançada no final de 1959 e consolidada no topo das paradas ao longo de 1960, "Beyond the Sea" representa o triunfo definitivo de Bobby Darin em sua transição audaciosa de ídolo adolescente do pop para a nobreza dos crooners americanos. Originalmente composta em 1946 pelo francês Charles Trenet sob o título "La Mer", a obra era uma canção lírica, bucólica e contemplativa, inspirada nas ondas do Mediterrâneo. No entanto, nas mãos de Darin e do brilhante arranjador Richard Wess, a balada europeia foi totalmente desconstruída e reerguida como uma joia fulgurante do swing orquestral.

O motor da faixa reside na tensão perfeita entre elegância e energia cinética. A gravação começa suave, com cordas sutis e um fraseado contido, simulando o horizonte sereno de um oceano calmo. Rapidamente, a seção de metais entra em erupção, impulsionada por uma seção rítmica incansável que transforma a melancolia da distância em uma celebração vibrante de expectativa amorosa. O arranjo de Wess fornece a pista de decolagem ideal para que Darin exiba sua precisão rítmica impecável, modulando a intensidade vocal com a arrogância carismática e o charme refinado que rivalizavam diretamente com Frank Sinatra.

Liricamente, adaptada para o inglês por Jack Lawrence, a canção aborda a separação geográfica através de uma visão romântica e quase mítica do mar. O oceano deixa de ser uma barreira intransponível para se tornar o cenário de uma jornada inevitável de reencontro. A imagem da amante esperando sobre "areias douradas" enquanto navios cruzam o horizonte traduz a universalidade da saudade, mas o tom de Darin nunca é derrotista; pelo contrário, transborda a certeza inabalável de que o coração encontrará o caminho de volta.

O clímax nos compassos finais, onde Darin improvisa despedidas espontâneas à navegação ("So long sailing, bye bye sailing"), demonstra a espontaneidade e a autoconfiança de um artista no auge de seu domínio interpretativo. "Beyond the Sea" consolidou-se como um clássico imortal do Great American Songbook, provando que uma grande canção pode atravessar fronteiras linguísticas e estilísticas para se tornar um hino universal de esperança e balanço.

 

Somewhere beyond the sea
Somewhere waiting for me
My lover stands on golden sands
And watches the ships that go sailin'

Somewhere beyond the sea
She's there watching for me
If I could fly like birds on high
Then straight to her arms
I'd go sailing

It's far beyond the stars
It's near beyond the moon
I know beyond a doubt
My heart will lead me there soon

We'll meet beyond the shore
We'll kiss just as before
Happy we'll be beyond the sea
And never again I'll go sailing

I know beyond a doubt, ah
My heart will lead me there soon
We'll meet (I know we'll meet) beyond the shore
We'll kiss just as before
Happy we'll be beyond the sea
And never again I'll go sailing

No more sailing
So long sailing
Bye bye sailing

Wednesday, August 19, 2026

61 - A Odisseia Mística e o Fluxo de Consciência Poética

 


Lançada em novembro de 1968 como parte do divisor de águas Astral Weeks, "Beside You", de Van Morrison, é uma das peças mais abstratas, viscerais e transcendentais de sua discografia. Afastando-se completamente das estruturas tradicionais do pop e do R&B de suas origens em Belfast, a faixa mergulha fundo em uma corrente meditativa onde o jazz acústico, o folk impressionista e a espiritualidade celta colidem. Não se trata de uma simples canção, mas de uma experiência quase xamânica de presença, entrega e redenção emocional.

A atmosfera instrumental é construída sobre um terreno instável e brilhantemente orgânico. Apoiado pela virtuose do contrabaixista de jazz Richard Davis e pelo violão de cordas de nylon de Morrison, o arranjo recusa a tirania do metrônomo rígido. Em vez de uma batida convencional de bateria, a faixa respira, acelera e desacelera de acordo com o pulso emocional da voz. A flauta de John Payne adiciona contornos fantasmagóricos ao fundo, transformando a gravação em uma pintura sonora onde cada instrumento parece dialogar livremente com o outro em tempo real.

Liricamente, "Beside You" opera na lógica do fluxo de consciência e da colagem surrealista. Figuras enigmáticas surgem e desaparecem na névoa, como "Little Jimmy", flechas quebradas, cães latindo na rodovia e o sino de domingo soando às seis horas. Van Morrison evoca memórias fragmentadas da infância e da juventude, unindo imagens de inocência, como a criança descalça e álbuns de colagem colados com cola, à sensação de perda e solidão. A narrativa recusa explicações lógicas; ela exige que o ouvinte sinta a urgência das imagens em vez de decifrá-las com o intelecto.

O ápice emocional reside no mantra repetitivo que ancora a faixa. As frases sobre respirar fundo, soltar o ar e a promessa incondicional de estar ao lado do outro ("And I'll stand beside you") funcionam como um encantamento de proteção. Ao repetir obsessivamente a recusa em questionar os motivos da existência ("To never never never wonder why at all"), Morrison transforma a dúvida existencial em aceitação pura. A voz passa do sussurro terno a grunhidos e gemidos de intensidade quase dolorosa, tornando palpável o estado de transe e êxtase que a própria letra descreve.

"Beside You" permanece como um testemunho monumental da capacidade de Van Morrison de fundir a introspecção poética com o improviso do jazz. Uma obra-prima crua e atemporal que não oferece respostas prontas, mas acolhe a alma humana em suas incertezas mais profundas.

 

Little Jimmy's gone
Away out of the back street out of the window
In to the falling rain
And it's right on time
Right on time

That's why broken arrow
Waved his finger down the road so dark and narrow in the evening
Just before the Sunday six-bell chime

Way out on the highway
Where the dogs are barking way down below
And you wonder away from your hillside
Retreating view

Would you often away on the railroad
Together on the tipping trucks will unload
On scrapbooks, we're together
Stuck with glue
And I'll stand beside you
Beside you
Oh, child

To never never never wonder why
To never, never, wonder why at all
To never, never, never, wonder why at all
It's gotta be, it has to be

Way across the country where the hillside mountains glide
The dynamo of your smile caressed the barefoot virgin child to wander
Past your window with the lantern lit
You held it in the doorway and you cast against the pointed island breeze
Said your time was open, go away along your merry way
Past the brazen footlits of the silence easy
You breathe in, you breathe out
You breathe in, you breathe out
You breathe in, you breathe out
You breathe in, you breathe out

And you're high on your high-flying cloud
Wrapped up in your magic shroud as ecstasy surrounds you
This time it's found you
You turn around
You turn around
You turn around
You turn around
And I'm beside you
Beside you

Oh darling
To never never wonder why at all
No, no, no, no, no
To never never never wonder why at all
To never never never wonder why it's got to be
It has to be
And I'm beside you
Beside you
Oh child
To never never wonder why at all
I'm beside you
Beside you
Beside you
Beside you
Ooooh, oooh
Child

 

Tuesday, August 18, 2026

60 - O Circo Psicodélico e a Colagem Sonora do Absurdo

 


Lançada em junho de 1967 no álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, "Being for the Benefit of Mr. Kite!" é uma das criações mais surreais, inovadoras e harmonicamente complexas de toda a discografia dos Beatles. Gravada em um momento em que a banda estava no auge de sua fase psicodélica e o estúdio de gravação tinha se tornado seu laboratório criativo, a canção surge como uma obra de arte conceitual que mistura a inocência do circo vitoriano com a experimentação sonora da vanguarda dos anos 60.

A gênese da composição é famosa e reflete a obsessão de John Lennon por encontrar inspiração no cotidiano e no inusitado. Lennon contou que a ideia surgiu quando comprou um pôster de circo vitoriano de 1843 em uma loja de antiguidades. Ele decidiu transformar o pôster em uma música, copiando quase palavra por palavra o texto que anunciava a performance de Mr. Kite, dos Hendersons e de Henry, o Cavalo que Dançava a Valsa. Ao fazer isso, Lennon não estava apenas criando uma narrativa; ele estava resgatando um pedaço da história popular e o inserindo em um contexto inteiramente novo e alucinógeno.

O coração da canção é a produção de George Martin que utilizou uma abordagem de produção inovadora e revolucionária para capturar a atmosfera caótica e mágica do circo. Martin acumulou camadas sobre camadas de instrumentação e efeitos sonoros: órgãos a vapor múltiplos calíopes e gaitas de foles eletrônicas foram gravados em diferentes velocidades e picotados e emendados aleatoriamente para criar uma textura sonora densa rica e desorientadora. O resultado é uma colagem sonora avassaladora onde os instrumentos individuais se fundem em uma massa única e giratória que imita a sensação de estar em um carrossel psicodélico.

A performance vocal de Lennon é a alma da canção. Sua voz que alterna entre narração direta e falsetes teatrais introduziu um nível de desapego e ironia que capturava o espírito da época. Lennon não estava cantando sobre uma experiência pessoal; ele estava encarnando um personagem, o apresentador de um espetáculo absurdo e maravilhoso. A letra apesar de baseada em fatos reais transforma os eventos do pôster em metáforas para a liberdade, a imaginação e a quebra de barreiras sociais.

"Being for the Benefit of Mr. Kite!" encapsulou o espírito de vanguarda artística que definiu o álbum Sgt. Pepper, um disco que desafiou as convenções do que a música popular poderia ser. A canção não busca estrutura rítmica tradicional ou solos instrumentais complexos; em vez disso, ela se concentra na criação de uma atmosfera imersiva e transcendental. Enquanto o mundo via os rapazes de Liverpool como ídolos pop eles mostravam que eram capazes de criar arte conceitual e multimídia no estúdio de gravação.

A influência de "Being for the Benefit of Mr. Kite!" continua a ecoar, especialmente em artistas que buscam explorar colagens sonoras experimentações rítmicas e atmosferas surreais. A canção permanece como um monumento à capacidade dos Beatles de encontrar beleza, magia e inovação até nos objetos mais simples e esquecidos. Uma prova de que o rock and roll pode ser ao mesmo tempo terrivelmente simples e absolutamente eufórico.

 

For the benefit of Mr. Kite,
There will be a show tonight
On trampoline.

The Hendersons will all be there.
Late of Pablo Fanque's Fair.
What a scene!

Over men and horses, hoops and garters,
Lastly through a hogshead of real fire!
In this way
Mr. K.
Will challenge the world!

The celebrated Mr. K.
Performs his feat on Saturday
At Bishopsgate.

The Hendersons will dance and sing
As Mr. Kite flies through the ring.
Don't be late!

Messrs. K. and H. assure the public
Their production will be second to none.
And of course
Henry The Horse
Dances the waltz!

The band begins at ten to six,
When Mr. K. performs his tricks
Without a sound.

And Mr. H. will demonstrate
Ten summersets he'll undertake
On solid ground.

Having been some days in preparation,
A splendid time is guaranteed for all.
And tonight
Mr. Kite
Is topping the bill!

Monday, August 17, 2026

59 - A Meditação Minimalista e a Harmonia Universal do Fim

 


Lançada em setembro de 1969 no álbum Abbey Road, "Because" é uma das criações mais singulares, etéreas e harmonicamente complexas de toda a discografia dos Beatles. Gravada em um momento em que as tensões internas da banda estavam no auge e o fim parecia iminente, a canção surge como um momento de trégua espiritual e pureza artística. A faixa é uma meditação minimalista sobre a conexão entre a natureza, a mente humana e o amor universal, envolta em uma das produções vocais mais impressionantes já registradas na música popular.

A gênese da composição é famosa e reflete a influência mútua entre John Lennon e Yoko Ono. Lennon contou que a inspiração surgiu quando ouviu Yoko tocando a "Sonata ao Luar" de Beethoven no piano. Ele pediu que ela tocasse os acordes ao contrário, e a partir dessa estrutura harmônica invertida, ele construiu a melodia e a letra de "Because". No entanto, os Beatles não se limitaram a imitar Beethoven; eles transformaram a inspiração em algo inteiramente novo, aplicando uma abordagem de produção sofisticada que misturava música clássica com as possibilidades do estúdio moderno.

O coração da canção é a performance vocal sobreposta de John, Paul e George. George Martin, o lendário produtor da banda, arranjou as harmonias vocais de forma que cada um dos três Beatles gravasse sua parte três vezes, criando um coro vocal massivo de nove vozes que soa quase angélico. A instrumentação é deliberadamente contida para permitir que as vozes dominem: George Martin toca um cravo eletrônico Baldwin, e George Harrison adiciona um Moog sintetizador que pontua a melodia com texturas rítmicas e espaciais. O cravo dá à faixa um ar barroco e atemporal, enquanto o sintetizador introduz uma sonoridade futurista que ancora a música em 1969.

A letra, escrita por Lennon, é um exercício de simplicidade poética e observação meditativa. As frases são curtas e focadas em elementos fundamentais: o mundo é redondo e gira o narrador; o vento é alto e sopra a mente; o céu é azul e faz chorar. No entanto, o clímax da canção ocorre na ponte, onde Lennon declara que "o amor é velho, o amor é novo / o amor é tudo, o amor é você". Esta afirmação simples e direta serve como a chave de leitura para toda a canção, sugerindo que a conexão amorosa é a força fundamental que une a humanidade à natureza e ao cosmos.

"Because" encapsulou o espírito de maturidade artística que definiu o álbum Abbey Road, um disco que, apesar do caos interno da banda, é considerado uma de suas maiores realizações. A canção não busca inovação rítmica ou solos instrumentais complexos; em vez disso, ela se concentra na pureza da melodia e na perfeição da harmonia. Enquanto o mundo via os rapazes de Liverpool como ícones pop, eles mostravam que eram capazes de criar arte sacra e transcendental no estúdio de gravação.

A influência de "Because" continua a ecoar, especialmente em artistas que buscam explorar harmonias vocais complexas e atmosferas meditativas. A canção permanece como um monumento à capacidade dos Beatles de encontrar beleza, paz e harmonia mesmo em meio à turbulência e à dissolução iminente. Uma prova de que, no fim, a música e o amor são as forças que realmente importam.

 

Because the world is round
It turns me on
Because the world is round

Because the wind is high
It blows my mind
Because the wind is high

Love is old, love is new
Love is all, love is you

Because the sky is blue
It makes me cry
Because the sky is blue

 

Thursday, August 13, 2026

58 - A Sinfonia da Manhã e o Brilho do Pop Otimista



Lançada em março de 1968, "A Beautiful Morning", dos Rascals, é um hino ao otimismo e à celebração da vida em sua forma mais pura e radiante. A canção captura a essência de uma manhã perfeita com uma leveza sonora que transformou um simples despertar em um momento de pura euforia pop. A faixa introduziu o mundo a uma fusão perfeita de pop psicodélico, R&B e uma sensibilidade pop extremamente elegante, definindo o som de um momento e influenciando gerações de músicos que buscavam a luz e a alegria.

A introdução de piano e flauta etérea serve como o despertar rítmico da canção, preparando o ouvinte para a explosão de alegria que está por vir. A melodia flui com uma suavidade encantadora, guiada pela voz inconfundível de Eddie Brigati, que soa ora como um convite, ora como um cântico de gratidão. A produção acúmulo camadas de instrumentação: pianos rítmicos, violões, baixos pulsantes, metais vibrantes e uma seção de cordas exuberante, tudo em perfeita harmonia para criar uma textura sonora rica e envolvente. O resultado é uma sinfonia pop onde os instrumentos individuais se fundem em uma melodia única e avassaladora, projetada para soar grandiosa e cheia de vida.

No centro desse turbilhão sonoro está a voz de Eddie Brigati. Sua performance vocal é uma mistura potente de inocência, urgência e uma sensualidade latente. Eddie não está apenas cantando ele está implorando prometendo e exigindo. A letra escrita por Brigati e Felix Cavaliere é simples e direta focada na necessidade desesperada de possessão romântica. No entanto é a entrega vocal de Eddie com seus soluços rítmicos e as harmonias de apoio dos outros Rascals que eleva a canção. O refrão explosivo onde a voz de Eddie se eleva acima da Parede de Som é um dos momentos mais catárticos da música pop.

"A Beautiful Morning" encapsulou o espírito do verão do amor dos anos 60 mas com uma sofisticação e uma intensidade emocional que a diferenciaram. O som dos Rascals com suas harmonias doo wop rítmicas e instrumentação complexa complementava a vibração psicodélica e rebelde da época desafiando a imagem polida de outras bandas pop. A canção não era apenas entretenimento ela era uma expressão da força e do desejo de mudança em uma época de transformações sociais.

A influência de "A Beautiful Morning" é imensurável. Brian Wilson dos Beach Boys ficou tão obcecado pela canção que a ouvia repetidamente e a citou como a música pop perfeita o que o inspirou a buscar produções mais complexas. A batida de bateria de Blaine foi imitada inúmeras vezes. A Parede de Som de Spector tornou-se um modelo de produção. "A Beautiful Morning" permanece como um monumento à obsessão ao talento e à visão artística uma prova de que a música popular pode ser ao mesmo tempo incrivelmente simples e absolutamente transcendental.

 

It's a beautiful morning, ah
I think I'll go outside for a while and just smile
Just take in some clean fresh air, boy
(Ain't) no sense in staying inside
If the weather's fine and you got the time
It's your chance to wake up and plan another brand-new day

it's a beautiful morning, ah
Each bird keeps singing his own song, so long
I've got to be on my way now
(Ain't) no fun just hanging around
I got to cover ground, you couldn't keep me down
It just ain't no good if the sun shines
When you're still inside (shouldn't hide)
Still inside (shouldn't hide)
Still inside (shouldn't hide)
Still in-, oh, oh, oh-oh-oh

Oo-ooh-ah-ah
Oo-ooh-ah-ah

There will be children with robins and flowers
Sunshine caresses each new waking hour

Seems to me that people keep seeing more and more each day
(Gotta say) lead the way
(It's okay) brand-new day
(Gotta say) it's okay
Wednesday, Thursday, it's okay

Oh, oh, oh-oh
Oo-ooh-ah-ah
Oh, oh, oh-oh
Oo-ooh-ah-ah
Whoa, oh, oh, oh-oh
Oo-ooh-ah-ah
Oh (ooh-ah-ah)
Oh, oh, oh-oh
Oo-ooh-ah-ah

Wednesday, August 12, 2026

57 - A Arquitetura do Desejo e o Ápice do "Wall of Sound"

 


Lançada em agosto de 1963, "Be My Baby", das Ronettes, não é apenas uma das músicas mais icônicas da era das groups; é um marco na história da produção musical e a obra-prima inquestionável de Phil Spector. A canção captura a essência da obsessão romântica juvenil com uma grandiosidade sonora que transformou um simples apelo amoroso em um épico adolescente. A faixa introduziu o mundo ao "Wall of Sound" em sua forma mais gloriosa, definindo o som de uma era e influenciando gerações de músicos, de Brian Wilson a Bruce Springsteen.

A introdução de bateria de Hal Blaine bumbum bumbum ca que se tornou um dos ritmos mais reconhecíveis do rock serve como o batimento cardíaco rítmico da canção, preparando o ouvinte para a avalanche sonora que está por vir. Spector acumulou camadas sobre camadas de instrumentação no Gold Star Studios em Los Angeles: pianos múltiplos, guitarras, baixos, metais e uma seção de cordas exuberante, tudo gravado em uníssono e banhado em reverb para criar uma massa sonora densa, rica e reverberante. O resultado é uma sinfonia pop onde os instrumentos individuais se fundem em uma textura única e avassaladora, projetada para soar grandiosa mesmo nos rádios AM mais simples da época.

No centro desse turbilhão sonoro está a voz de Ronnie Spector então Ronnie Bennett. Sua performance vocal é uma mistura potente de inocência, urgência e uma sensualidade latente. Ronnie não está apenas cantando; ela está implorando, prometendo e exigindo. A letra, escrita por Spector, Jeff Barry e Ellie Greenwich, é simples e direta, focada na necessidade desesperada de possessão romântica. No entanto, é a entrega vocal de Ronnie, com seus soluços rítmicos whoa oh oh oh e as harmonias de apoio das outras Ronettes Nedra Talley e Estelle Bennett, que eleva a canção. O refrão explosivo, onde a voz de Ronnie se eleva acima da Parede de Som, é um dos momentos mais catárticos da música pop.

"Be My Baby" encapsulou o espírito das groups dos anos 60, mas com uma sofisticação e uma intensidade emocional que a diferenciaram. O visual das Ronettes com seus cabelos altos delineation pesado e saias justas complementava o som rebelde e perigoso da música, desafiando a imagem polida de outras bandas femininas. A canção não era apenas entretenimento; era uma expressão da força e do desejo feminino em uma época de mudanças sociais.

A influência de "Be My Baby" é imensurável. Brian Wilson, dos Beach Boys, ficou tão obcecado pela canção que a ouvia repetidamente e a citou como a música pop perfeita, o que o inspirou a buscar produções mais complexas. A batida de bateria de Blaine foi imitada inúmeras vezes. A Parede de Som de Spector tornou-se um modelo de produção. "Be My Baby" permanece como um monumento à obsessão, ao talento e à visão artística, uma prova de que a música popular pode ser, ao mesmo tempo, incrivelmente simples e absolutamente transcendental.

 

The night we met I knew I needed you so
And if I had the chance I'd never let you go
So won't you say you love me?
I'll make you so proud of me
We'll make 'em turn their heads every place we go

So won't you, please (be my, be my baby)
Be my little baby? (My one and only baby)
Say you'll be my darlin' (be my, be my baby)
Be my baby now (my one and only baby)
Whoa-oh-oh-oh

I'll make you happy, baby, just wait and see
For every kiss you give me, I'll give you three
Oh, since the day I saw you
I have been waiting for you
You know I will adore you 'til eternity

So won't you, please (be my, be my baby)
Be my little baby? (My one and only baby)
Say you'll be my darlin' (be my, be my baby)
Be my baby now (my one and only baby)
Whoa-oh-oh-oh

So come on and, please (be my, be my baby)
Be my little baby? (My one and only baby)
Say you'll be my darlin' (be my, be my baby)
Be my baby now (my one and only baby)
Whoa-oh-oh-oh

Be my little baby? (My one and only baby)
Oh-oh-oh (be my, be my baby)
Oh (my one and only baby)
Whoa-oh-oh-oh (be my, be my baby)
Oh-oh-oh (My one and only baby)
Oh (be my, be my baby)

 

63 - O Falsete de Newark e a Anatomia do Orgulho Adolescente

  Lançada em outubro de 1962 como sucessora direta do estrondoso sucesso "Sherry", "Big Girls Don't Cry" consolido...